UNIVERSO DO HAICAI


VOLTA

O TERMO DE ESTAÇÃO E O CALENDÁRIO OFICIAL


Num país tropical e de dimensões continentais, como o Brasil, mostra-se,às vezes, quase impossível saber em que estação do ano nos encontraos. Procurando dar um norte à questão, bastaria consultarmos um calendário ou folhinha para sabermos que a primavera vai de setembro a novembro, o verão, de dezembro a fevereiro, o outono, de março a maio e o inverno, de junho a agosto. Mas, essas informações encerrar-se-aim em si, friamente. Como se comportam os meses do ano como termos de estação? Que reflexos deixam na alma do poeta? A seguir, algumas considerações sobre o assunto:

JANEIRO = ponto alto do verão, destacam-se as manhãs de calor intenso e as chuvas de fim de tarde.

FEVEREIRO = ainda sob intenso calor, sobressai o final das férias escolares e o retorno as rotinas do cotidiano.

MARÇO = como que preparando a natureza para o inverno, percebe-se uma sensação de esfriamento das coisas e dos seres.

ABRIL = ápice do outono, é marcado pela sensação melancólica de decadência.

MAIO = ao final de seu trimestre, surge a sensação de que a natureza está pronta para recolher-se.

JUNHO = com a baixa na temperatura, percebe-se a chegada do frio e o início da estação.

JULHO = com o avanço do inverno, constata-se uma sensação de solidão crescente.

AGOSTO = através da observação de alterações na atmosfera e na natureza, têm-se a impressão de superação, preparando-se a inevitável chegada da primavera.

SETEMBRO = uma característica da primavera é a sensação de renascimento que a natureza nos transmite. Assim, nesse mês temos a sensação de júbilo pelo início de tal fenômeno.

OUTUBRO = constatamos um amadurecimento da estação, com suas particularidades definidas.

NOVEMBRO = fechando o trimestre, temos a sensação de que não há mais novidades na natureza, perdendo-se a sensação do novo.

DEZEMBRO = abrindo o seu trimestre, com as agitações peculiares do final de ano, percebe-se que o calor se torna mais intenso.

Ora, o termo de estação não é mera exteriorização dos atos humanos ou fenômenos naturais mas, carrega em si o sentido poético e abrange todo o ambiente em que surge. Assim, basta um pequeno esforço contemplativo para se perceber as sutis mudanças sazonais ocorridas ao longo do ano.

Antônio Seixas
Inverno de 2003.