UNIVERSO DO HAICAI


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COMENTÁRIO GERAL

Corrente Sulista


Como leciona Masuda Goga, “o renku é (um) refinado passatempo literário e espiritual” (Natureza, berço do haicai, 1996, p. 254).

Verdadeiro produto intelectual coletivo, onde revela-se a interação e a cumplicidade típica dos irmãos, “Pinha, pinhão – renga”, de José Marins e Sérgio Francisco Pichorim (Curitiba, Araucária Cultural, 2004, 44 p.), surpreende os leitores por seu resultado final.

Primeiras rengas publicadas em língua portuguesa no Paraná, seus autores a experimentaram através da troca de e-mails, uma vez por semana, ao longo de um ano, conseguindo a união perfeita do passado clássico com a modernidade, culminando em seqüências desse porte:

31. Nesta noite fria
Tenho pressa de chegar
Pouco agasalho

José Marins

32. o morador-de-rua estende
o seu cobertor no chão.

Sérgio F. Pichorim

33. Inverno à noite.
Ao vigia do quarteirão
Não serve a pressa.

José Marins.

34. debaixo de muita coberta
escuto apito distante.

Sérgio F. Pichorim.

Livro de méritos próprios, a dispensar maiores comentários, seus haicais encadeados são, desde já, leitura obrigatória, tendo tudo para tornar-se um clássico.

Antônio Seixas
10 de janeiro de 2005.