UNIVERSO DO HAICAI
Nas trilhas do Haicai
Da terra das araucárias chega às nossas mãos mais uma obra haicaística: "Bem-te-vi: haicais de um vivente" (Ed. do autor, 2003, 66 p.), do paranaense de São José dos Pinhais Sérgio Francisco Pichorim, exímio vate daquelas plagas.
Seguindo a divisão clássica dos livros de haicais, pelas estações do ano, Pichorim, grande vencedor dos l4.º e l5.º Encontros Brasileiros de Haicai (2002 e 2003, respectivamente), nos brinda com verdadeiros achados através de um autêntico haiku-dô (caminho do Haicai). Nele a inserção e contato do homem com a natureza, com ele próprio, e com o mundo se evidencia.
Nas palavras do poeta "o Haicai é místico, é revelação, despertar (iluminação, satori ou como se queira chamar). Pois o exercício proposto pelo Haicai, nos torna mais sensíveis, mais ligados ao mundo, mais seres humanos."
Vejamos alguns destaques:
Na beira do tanque
o menino joga pedras.
Balé de girinos.
A roda de samba
sem se importar com as horas.
Noite tropical.
Noite sem luar.
as mariposas voando
ao redor da lâmpada.
Na sombra do muro
pequenos coppos-de-leite
crescem em fileira.
Na beira da estrada,
o vendedor ambulante
com pinhas maduras.
Na rua de sempre
uma nova descoberta...
Mulungu florido.
Antônio Seixas
Verão de 2004.